sábado, 4 de outubro de 2008

Surpreenda-me


Façam a seguinte experiência: entrem no Google e digitem a expressão "Surpreenda-me". Sabem quantas referências vocês obterão? Mais de 30 milhões. Surpreenda-me, pedem canções, poemas, blogs. Surpreenda-me, pedem-nos pessoas em geral.
Com boas razões. Temos uma tendência irresistível para cair na rotina, para repetir as mesmas coisas, para dizer o que já foi dito, para olhar o que já foi visto. Por que fazemos isto? Em primeiro lugar, por temor desconhecido; no fundo, bem no fundo, achamos que surpresas em geral são desagradáveis e que temos que evitá-las. Em segundo lugar, por comodidade e preguiça. É mais fácil seguir pelo caminho já trilhado. É mais fácil repetir a rotina.
Isto até pode funcionar quando se trata, por exemplo, de um trabalho no qual a inovação não é fundamental; aí, "more of the same", mais da mesma coisa talvez seja inevitável. Mas quando falamos na relação a dois a coisa é completamente diferente. Qualquer paixão, por mais intensa que seja, acaba liquidada na rotina. Muitos jovens sabem disso e se perguntam, inquietos: como renovar os sentimento? Como redescobrir o amor a cada encontro? A resposta está no "surpreenda-me". Nenhuma novidade nisto: quem escreve contos, sabe que uma história bem-sucedida, a história que arrebatará o leitor, é aquela que guarda uma surpresa para o final. Mas as histórias de amor que vivemos na realida de naõ precisam esperar o final. A surpresa pode aparecer a qualquer momento: um lugar diferente, uma viagem, uma frase, um gesto. Supreender a pessoa amada é partilhar daquela emoção que tinham os antigos navegantes quando chegavam a um novo país. E, se navegar é preciso, surpreender também é preciso, para chegar ao país da duradoura paixão.

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